sexta-feira, 25 de maio de 2012

Alien

Na boa, acho que sou um E.T.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Sem nada hoje... acabou

Sentei na frente desse computador pra escrever algo bonito, mas sinceramente, não veio nada na cabeça!

Adendo à postagem 5 minutos depois:

Um dia tudo isso acaba, quando eu acabar com o medo de acabar comigo mesmo.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Survivor real life


Viver, cada dia mais, se parece com um reality show. Você deve ser o mais esperto (outwit), o mais estrategista o possível (outplay) e com isso viver muito além do outros (outlast). E pra isso vale de tudo: enganar, ludibriar, dissimular, esconder a verdade, mentir, apunhalar pelas costas, brincar com o sentimento alheio, fingir ser amigo, formar grupos segregatícios que logo se desfazem por não confiarem um no outro ou simplesmente ser indiferente ao próximo. É meu amigo! Está provado em 22 edições, sem isso não se ganha 1 milhão de dólares! De jeito nenhum!

Quando chega a hora de voltar...

É preciso de um estímulo muito ruim ou muito bom para estar de volta aqui!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Lições de um ignorante voluntário


Ser preterido por aquele que te ama é fazer planos qüinqüenais que espantam os seus amigos que acham cinco anos a própria eternidade, mas que o você sabe que voam, como voaram tantos, tantos, tantos. É saber que não há mais ninguém com prazer em lhe acarinhar a pele. É já não ter prazer em passar a mão na própria pele. É sentir, de repente, o isolamento. É ficar egoísta e amedrontado. É não ter vez e nem misericórdia. Ser preterido é fogo! Ou melhor, é muito frio.

REFERÊNCIA
FERNANDES, Millôr. Lições de um ignorante. Rio de Janeiro: Paz & Terra: 1977

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Máquina...



Gotas de suor salgado escorrem pelo braço e gotejam levemente uma roda dentada. Uma correia em plena fúria do movimento toca suavemente o pano do uniforme. Um pouco de graxa preta e gordurosa se esconde entre uma unha e um dedo. Um arranhão faz um detalhe diferente num capacete amarelo. Uma porca caída no chão se esconde embaixo de uma bancada. Um parafuso torto jogado de qualquer jeito no canto da mesa. Um guarda-chuva preto fechado encostado do lado de uma chapa de ferro. Uma janela de vidro toda engordurada e suja. Uma fita zebrada deplorável amarrada em um parapeito de ferro carcomido de ferrugem. É uma máquina! Máquina! Máquina! Máquina! Máquina! Máquina!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

"A Hora da Estrela"



Quando eu tinha 6 anos, assisti um filme da turma da Mônica chamado "A Estrelinha Mágica",  onde Mônica e seus amigos encontravam por acaso no chão uma estrela que havia caído do céu. Desde o momento que vi esse filme cismei que iria também encontrar uma estrela assim, meio que caída no chão. Então observava muito o céu para ver estrelas cadentes. Certa noite, estava à janela de casa ocupado no exercício de olhar para o espaço a procura de estrelas cadentes, notei que no horizonte havia muitas nuvens laranjas que denunciavam uma chuva noturna. Então olhava para o alto quando uma estrela cortou o céu em direção ao horizonte, ao mesmo tempo em que um relâmpago ascendeu por trás de uma nuvem. Pronto! Foi o suficiente para me convencer que a estrela tinha caído lá, e que muito provavelmente havia explodido. Quis ir lá no meio da noite procurar a estrela, mas como toda criança, fui impedido por um adulto. Quando eu já com 12 anos, fazendo o ensino fundamental, era alvo eterno dos meninos do fundão da minha turma. Não era só porque eu era CDF, mas porque também era NERD, pois usava aparelho extra-bucal, óculos fundo-de-garrafa e botas ortopédicas. Era por isso! Além de ouvir todo tido de gozação e apelido, tinha que também aguentar as porradas que os moleques me davam. O único momento em que todos se tornavam meus amigos, era justamente em dia de prova. E eu, para me sentir a estrela da classe, me prestava a passar cola para todos os meu inimigos. Passada a prova, tudo voltava ao normal, e eu voltava a ser o velho fracassado de sempre. Um dia, numa prova de história, eu tive que passar a resposta de uma questão que precisava dissertar bastante sobre o assunto, então o pedaço de papel que eu usei para escrever a resposta ficou um pouco grande. Quando eu estava acabando de escrever, notei que a professora estava do meu lado me observando. Eu, quase sem pensar, embolei o papel e engoli, assim teria destruída a prova de que eu estava colando e me livrei de ser levado à diretoria. Ano passado, eu estando com 24 anos, já estava quase me formando no curso de ator, e estava com um curriculum de peças até razoável. Um dia recebi o telefonema de uma jornalista que escrevia para um jornal local. Ela ligou dizendo que queria falar com um "jovem ator que se destacava no cenário artístico paraense", e falou um nome de forma muito rápida, achei que tinha entendido meu nome, e então desatei a falar sobre minha vida artística e já até estava brincando falando que eu estava quase para me tornar uma estrela. Depois de quase uma hora no telefone com ela, é que eu descubro que na verdade, ela queria era falar com meu irmão, que também faz teatro...

Estrelas, minhas estrelas...
Vou-te o brilho ofuscando
e a ti que não te mudas
no escuro vais ficando!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O pequeno pássaro confiante...



Dois ninhos de pássaros dividiam um mesmo galho, cada ninho com um único ovo. Em um deles nasceu um pássaro bonito e garboso, e no outro um pequenino pássaro frágil. Os dois cresceram juntos, até o momento em que se tornaram independentes. Voaram juntos do ninho no mesmo dia. Eram grandes amigos, aliás, grandes amigos não; eram grandes irmãos. Viviam numa espécie de protocooperação, o maior protegia o pequeno de predadores, e o menor retribuia conseguindo larvas de besouro tiradas com se pequeno bico de buraco das cascas das árvores, e da qual os dois se alimentavam. E assim foi durante muito tempo. Um dia o pássaro maior encontrou outro pássaro da mesma espécie que ele, e logo se tornaram amigos. Ele foi apresentar o novo amigo ao seu irmão. O novo pássaro achou estranho a amizade. Num determinado dia, quando o pequeno pássaro saiu para pegar as larvas para que eles pudessem almoçar, o novo pássaro falou para o outro que a espécie deles não tinham amizades com pássaros pequenos, e sim comiam pássaros pequenos, pois isso era o que faziam todos os falcões. Quando o pequeno pássaro chegou, trazendo com dificuldade no bico muitas larvas, o irmão dele sem pensar duas vezes rasgou sua carne com as garras afiadas, e o comeu junto com o outro falcão. Terminada a refeição, os dois voaram pelo horizonte, sem remorço e sem culpa alguma. Nem dois minutos de vôo se passaram, e o falcão que tinha comido seu irmão, caiu duro no chão. O que o matou não foi a culpa e nem o remorço, mas sim a traição, que ele não sabia que é capaz de dilacerar os corações de quem trai e de quem é traído. Porém, uma vez consumada a traição, nunca mais se pode voltar atrás. Nunca.

terça-feira, 23 de março de 2010

Quatro pássaros

Um pássaro.
Dois pássaros.
Três pássaros.
Quatro pássaros voaram até mim.

Ei você!
Não espante meus pássaros!

quinta-feira, 4 de março de 2010

(re) Começo


"Todo começo, é sempre o fim de algo que é bom, ou de algo ruim.
E o meu fim, pode ser o princípio do seu suplício
Pra eu poder retornar ao início."
Renato/Nervoso


O primeiro passo outra vez.
Depois de dez passos pra trás,
chegou a hora de finalmente
caminhar para a frente.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Dois mil inove em resumo


Fazendo um balanço tradicional (e inevitável)
do ano que me passou (e já pensando no que virá),
de fato como diz o slogan (aquele do Banco)
foi um ano de profundas inovações: (e renovações também)
veio o primeiro emprego (um que podia ser chamado assim),
com oito horas de ocupação por dia (nem tão ocupadas assim),
achei que deveria também ocupar o resto da vida (como se não estivesse)
então larguei uma relação normal, chata e monótona (era que eu achava),
pra me jogar noutra relação duas semanas depois (que era ainda pior),
então fui percebendo o quão antipático eu era (ainda sou um pouquinho).
Falando em o que sou (olha a pretensão falando alto)
decidi ser muito mais franco comigo (e menos com as pessoas),
por isso passei a falar bem menos (e escrever muito mais),
aí nasceu um certo blog (duma gravidez de risco),
que serviu de suporte (uma viga de aço praticamente)
para um monte de coisas que eu queria dizer (e acabei escrevendo),
então percebi que tinha uma habilidadezinha para escrita (continua a modéstia),
e com a boa escrita vieram pessoas (chegaram que eu nem percebi)
que ficaram tão próximas do coração (apesar da distância geográfica).
Então essas pessoas transformaram-se em amigos (o que não foi difícil)
e nas palavras que trocamos (as palavras transformaram-se em sentimentos)
fez-me aflorar novos sentidos (que na verdade eram antigos)
e assim re-descobri a força e coragem (e venci a tristeza e loucura)
então oito meses depois (mas que pareceram 8 anos)
voltei para a relação do início (ou reiniciei a relação),
já não achando mais normal, chata ou monótona (isso na verdade era eu),
por isso pedi desculpas (e as recebi também),
e me dediquei a tratar as feridas (que não eram poucas),
daquele Grande Amor (ainda bem que não era tarde demais).
Aí percebi a minha magalomania (só EU não tinha percebido)
com isso também descobri uma certa profissão (que virou objetivo de vida),
então esqueci a arte (pelo menos momentaneamente)
mas nem por isso deixei de aceitar (e fazer por conseguinte)
minha estréia no Da Paz e na tela grande (fechando com chave de ouro).
E assim, de forma concisa (ou seria confusa?)
termina aqui meu resumo... (outro só ano que vem!)

A todos que leram este blog desejo um feliz 2010. Que seja do prólogo ao epílogo deste novo ano um conto cheio de alegria, paz e saúde; e o clímax de sua historia seja felicidade e sucesso que você irá resumir num sorriso!
FELIZ ANO NOVO!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Diálogo Truncado


- O que você tem hoje?
- Nada não, só estou um pouco triste.
- Triste por quê?
- Ontem minha avó caiu da escada e eu acho que vai demorar um pouco para ela ficar boa.
- Eu não sabia.
- É, foi uma queda e tanto, ela estava distraída e pisou em falso num dos degraus, não sei muito bem como aconteceu, foi muito rápido, acho que ela estava meio sonolenta, devia estar dormindo, levantou pra fazer xixi e pimba! Caiu da escada.
- Que azar!
- Não, não fale azar! Fale que falta de sorte!
- Que falta de sorte da sua avó, hein?
- Sim, que falta de sorte...
- Pois é.

- E você?
- Eu o que?
- Você está bem?
- Acho que estou bem, se não fosse por essa notícia agora.
- Você realmente gosta tanto da minha avó assim?
- Eu nem bem conheço a sua avó.
- Então não fique triste pelo acontecido, você não tem nada a ver com isso.
- É que tenho uma imensa pena das velhinhas que caem de escadas; diga-me uma coisa, ela rolou ou foi se batendo na mesma posição até o último degrau?
- Foi cambaleante, não chegou a dar uma cambalhota inteira, mas se bateu bastante.
- Lamentável.
- E antes de chegar ao último degrau ela gritou: eureca!
- Foi?
- Sim, porque fez uma grande descoberta enquanto sofria o acidente.
- Ela deve ter batido muitas vezes a cabeça e isso deixou seus neurônios funcionando de maneira mais brilhante.
- Pode ser, os médicos não falaram nada a respeito.
- E qual foi a grande descoberta?
- Não sabemos, ela entrou em coma antes de nos dizer.
- É uma pena mesmo, ainda mais sabendo que nos dias de hoje a venda de uma grande descoberta vale muito dinheiro.
- Sim, eu também pensei nisso, acho que este é o maior motivo da minha tristeza.
- Sua família é muito pobre?
- É
- Muito pobre como?
- Dificilmente meu pai se senta à mesa para comer com todo mundo e meu irmão tem muitas namoradas, minha mãe adora assistir as novelas do canal católico, meu avô tem uma coleção de latinhas de refrigerante antigas e minha avó estava pegando as prestações do clube da pré-morte de um cemitério para terceira idade.
- Muito pobre.
- Sim, e a pior de todas é a minha pobreza.
- E qual é?
- Eu escrevo cartas de amor para um antigo namorado que sumiu no mundo.
- E ele as recebe?
- Sim, onde quer que esteja. Ele está juntando inspiração para escrever uma carta-resposta me perdoando.
- O que você fez para precisar se perdoada?
- Quando resolveu ir embora, eu escondi o único mapa que ele tinha.
- E por que ele resolveu ir embora?
- Porque é um crápula que estava apaixonado por uma aeromoça.
- Você é aeromoça?
- Não.
- Bom.
- Mas ele não tinha dinheiro para segui-la de avião, então foi de asa delta.
- Entendo.
- Todo dia eu mando uma carta pra ele, comprei um pombo para voar bem alto e amarei na patinha dele uma espécie de fio que leva uma bolsinha, é lá que eu ponho a mensagem. O pombo sempre vem sem nada amarrado e com a imagem dele nos olhos.
- É um bom pombo.
- Sim, é.
- Espero que sua avó fique bem.
- Eu também
- Agora preciso ir.
- Eu também.
- Então foi muito bom falar com você.
- Igualmente.
- Igualmente.
- Você é sempre assim, de poucas palavras?


"Você não entende que me atirei no abismo do teu coração e me fiz testemunha da mais ingrata verdade. Assim eu me fiz durante a vida toda, me guiando cada vez mais fundo pra queda e quando quis voltar, já era tarde demais, não existia uma corda para a subida, fiquei preso nos laços do mais profundo dos teus sonhos inertes e me perdi feito um anjo caído na imensidão dos teus abraços de despedidas!"
.
- Eu sou um pouco tímido sempre.

Paloma Amorim

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sonho de Consumo ou Cafonismo de Estante

Eu quero!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Conjuga-me ou perco-me



Por mais que eu crescesse
Eu perco

E por mais inefável que fosse o sentimento
Tu perco

E por mais que eu tentasse esquecer e dissimular
Ele perco

E por mais que eu quisesse uma outra vez
Nós perco

E por mais que eu me confundisse
Vós perco

E por mais que agora não me pareça mais tão nefasto
Eles perderei

em 22/04/2009

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

"Eu sou um cavalheiro!"

Entre cavalheiros e trogloditas,
seguranças e anjinhos,
matutos e sátiros,
reis e soldados,
pais intransigentes e amados apaixonados;
sempre há um ponto de convergência:
A essência do ser!
E por mais que se mostrasse
diferente em cima do palco,
ainda sim era quem era.

O mesmo ser arguto e sensível,
eloqüente e metódico,
chato e amável,
meio que disperso e muito carismático.

Hoje, quatro de novembro
de dois mil e nove,
na juventude de seus tristes
vinte aninhos,
ele foi pra longe de nossas vistas
mas para mais perto do coração,
de onde nunca, nunquinha sairá.

Sr. Manduca, Tadeu de Albuquerque, Petrúquio,
Herodes Antipas e Rei-Mago Gaspar,
sempre serás esses em minha memória.
Ator, Estudante, Escritor,
Amigo, Companheiro e João Lucas Guimarães,
sempre será ESSE em meu coração.

Adeus, meu amigo!
Não!
Até a eternidade, meu amigo!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Olhos fosforescentes


Numa noite qualquer, sem algum motivo aparente ele acordou. Completamente sem sono sentou-se numa cadeira de balanço na varanda da sua casa. Então procurou com o olhar, qualquer coisa que lhe proporcionasse algum tipo de distrair. Olhou no céu, várias estrelas cadentes rodeando uma lua cheia cor de prata, brilhando faceira naquela madrugada. Apercebeu-se que havia deixado o radinho de pilha ligado, e escutou a voz dolente de uma mulher cantando algo como se fosse um blues. Deixou-se levar pela voz melancólica da cantora, e numa fração de segundo fechou os olhos. Quando tornou a abri-los, se deu conta de que seu amante também estava sentado numa outra cadeira de balanços, roendo as unhas e com os olhos fosforescentes como os olhos de um gato na escuridão. Arrebatado pelo terror e impotência, ele reconheceu naquele mesmo instante no seu companheiro o motivo que os fez fugirem da cidade natal, Macondo, e se isolarem na choupana encerrada no meio da floresta que ora vivem. Era a peste da insônia, essa doença que aos poucos foi se alastrando até assolar a cidade inteira. No princípio ninguém sem importou, até ficaram contentes de não poder dormir, pois assim a vida rendia mais. Mas ele sabia que a manifestação mais crítica da peste da insônia não era a impossibilidade de dormir, mas sim o esquecimento. Pois uma vez o doente se acostumando a vigília, começavam-se a sumirem as lembranças da infância, o nome e noção das coisas, a identidade das pessoas e por fim a consciência de si próprio. Até que o convalescente se imergisse numa espécie de idiotice sem passado. Temendo essa doença os dois então, refugiaram-se dentro de um bosque selvagem. Mas de nada adiantou, pois já estavam contaminados. Ele passou o resto da noite observando ora a lua, ora o seu amado, que se encontrava num estado que ele mesmo depois de tanto tempo vivendo juntos, não reconhecia. Pela manhã os dois ainda sentados nas cadeiras, olhavam o sol saindo tímido, ou para os roseirais refletindo no orvalho os raios matinais, como se ele fosse o iluminado. Sol esse que os acompanhou por várias semanas, iluminando as manhãs repetitivas do casal, que buscava uma solução contra o esquecimento. Tentaram vários métodos como chás, ervas, bebidas, e conversas intermináveis à varanda da casa, mas absolutamente nada adiantava. E como passaram a ter dificuldade para elaborar os medicamentos caseiros por não se lembrarem os nomes dos objetos, passaram a escrever os nomes deles em pedaços de papel e colar nos objetos correspondentes. E um dia andando na floresta procurando novas plantas para uma infusão, ele viu uma linda flor vermelha radiante cheia de pequenos espinhos no seu talo, ele reconheceu flor, mas não se lembrou o nome dela, e depois de muito pensar, deduziu que a flor se chamava “Amor”, e assim escreveu em várias pétalas dessa flor a palavra AMOR. Colheu uma delas, e voltou pra casa. Ao chegar percebeu um rapaz estranho na barraca, ficou com medo dele, e se armou com um pedaço de pau para expulsar o intruso. O intruso por outro lado, também se armou com um pedaço de pau e pediu para que ele se retirasse pois aquela cabana era lar dele com seu amante. O outro respondeu que ele estava enganado, pois ele era o verdadeiro dono do casebre onde vivia com seu amante. Os dois percebendo-se que não eram ameaças decidiram baixar as armas, e sentaram no chão da varanda para conversar. Cada um falou de si, e das qualidades que o fizeram se apaixonar cada um pelos seus respectivos amantes. Cada um ficou emocionado com a história do outro. E só então se deram conta que havia escurecido, e que os companheiros de cada um não haviam retornado, cogitaram a possibilidade deles terem se perdido na floresta. Decidiram ir dormir, mas não conseguiram. Então ele se lembrou que havia colhido uma flor, retirou da bolsa e mostrou ao outro, que achou belíssima. Ele disse que a flor se chamava amor, e percebendo que o companheiro tinha ficado encantado, decidiu lhe dar de presente o amor. Então repentinamente os dois passaram a se desejar, e não conseguindo mais conter esse forte sentimento, entregaram-se a longos beijos e carícias. Pela manhã, os dois tomados por remorso de terem traído a cada um o seu amante, e cheios de vergonha, saíram as escondidas da barraca e cada um tomou direção oposta. Mergulhados numa ausência instável, erraram solitariamente por florestas, veredas, montanhas, e cidades por muitos anos. Até que numa manhã qualquer sentaram-se nas areias duma mesma praia, e começaram a conversar como dois estranhos. Cada um falou de si, e lembraram fracamente que cada um havia amado um rapaz num tempo muito distante. Cada um ficou emocionado com a história do outro. Até que um deles, mudando de assunto, perguntou como se chamava àquele grande lago à frente deles, mas nenhum dos dois lembrava o nome. Até que os sons das ondas sinfonicamente brindando os ouvidos e corações deles, os fez lembrarem juntos, que aquele grande lago, se chamava “Amor”.

Pré-texto: MÁRQUEZ, Gabriel García. Cem anos de solidão. São Paulo, Record, 1976.

Carbono





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Essencial
à vida,
não como me é
a água,
mas ainda sim
o reconheço.
Respiração,
fotossíntese,
e até petróleo.
Muito bom,
mas não precisa
de tanto
que a própria natureza
não possa reutilizar.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Do trabalho que enobrece e dignifica


Porque eu me dissimulo
e me faço de besta,
Eles me acham e me chamam
de grande besta.
E eles só me querem
para ser a besta de carga.
Mas seu eu realmente fosse
uma besta,
eles não quereriam mais.