segunda-feira, 14 de setembro de 2009

As Correntes

Quebraram-se as correntes da incerteza
e os elos de dúvidas e de desconfianças.
Quem se sentia preso, agora se sente livre
numa liberdade condicionada, injusta e normal.
A procura de uma nova prisão, uma nova corrente
e se trancar novamente numa saraivada de pensamentos,
às vezes maldosos e às vezes honrados,
mas sempre pensamentos e pensamentos.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Algum tempo atrás eu aprendi que é mais fácil tentar inverter a situação radicalmente, do que tentar reverter a situação racionalmente.


- Ainda bem que alguns preferem tomar o caminho mais difícil.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Cortei as asas tuas

Falta tua muito sinto,
tua ausência, ela tanto seja
não culpa ou mea culpa,
gaiola agora é teu recinto
e me é vontade vieja.

Cortei as asas tuas,
mas a cortar deixastes,
agora me culpo e me culpe,
não deixas que se imiscuas
nem quebras as hastes.

Não te escondas tanto
instável seja, e aceita
minhas desculpas por tuas culpas,
e amar irei teu canto
quando distância for estreita.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A caixa

Quanta doçura e quanta fragilidade
vejo no teu rosto,
que agora se torna estranho,
a ti mesmo,
pois a mim sempre o foi.
Quanta gravidade no gesto,
que te é tão inerente,
tão caro,
mas que é pra mim tão vazio.

Como podes confiar em mim
assim tão facilmente?
Não sabes o meu passado
e muito menos o meu presente,
que te dou como presente
em desgostos, tristezas e mágoas
embrulhados em papel bonito
amarrados com uma fita
da cor que te é favorita.
.
Talvez por isso,
não abras tua prenda.
Pois que tua inanidade
te faz se encantar
somente do embrulho
e julgas já saber o que há dentro.
.
Tu que te sentas e te deitas
sobre tua própria concuspicência,
quando levantares e abrires
o teu presente,
verás que eu sou tão ruim
quanto o pior do pior de ti mesmo.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Yasuna, vive para sempre

Yasuna gerou saudades
e solidão por um longo tempo.
Apesar de sempre estar aqui perto
estava sempre tão distante.
De modo que num divórcio
muito injusto,
foi enclausurado
na prisão dos esquecidos.
Hoje dia sete de julho,
pode enfim morrer em paz.
Mesmo depois de infinitas horas
de isolamento e agonia,
estava contente
por ter completado o seu fanado.
De dentro da sua carcaça
nasceu uma ave,
e mesmo novinha,
tinha a imponência de Yasuna.
Esta ave é tomada
como Rei dos Pássaros,
deitada sobre sua soberania cruciante,
é nada mais que um reflexo de Yasuna.
.
.
Foto: Fernando Paranhos

quarta-feira, 24 de junho de 2009

My personal magoeitor

Poucas ações...
Muitas ações...
Egoísmo exagerado...
Altruísmo exagerado...
Poucas palavras...
Muitas palavras...
Possessividade exagerada...
Abandono exagerado...
.
Não adianta,
de uma forma
ou de outra,
ele SEMPRE consegue!

terça-feira, 23 de junho de 2009

A falta de um riso

Tu não ris.
Sorris,
e malmente.
.
Pois que tua essência,
meditativa,
delata-se no teu contemplar
muito concentrado,
mas ao mesmo tempo
tão disperso.
E que prediz a todos,
teus tresvarios mais profundos,
frutos da rendição da tua intelecção
a um mundo despretensioso
e dele ufanizada.
.
As tuas cogitações,
em letras ou imagens, não se materializam.
Justamente,
por afluir em ti,
a comunicação, porém
tolhida pelo teu calar
coagido pelo teu desacreditar.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Tédio

Ele tem os olhos fixos, paralisados. A pele tem uma respiração própria, o suor tem o cheiro da inquietude. Freneticamente ele sacode as mãos, para, volta a sacudi-las baixa a cabeça. Agora o olhar é em todos os lugares que seu cérebro pode guardar algum tipo de distrair. Ele espera. Ora como se explodindo, ora com a paciência do resignado Jó, mas a espinha ereta como a de um samurai. Sua tez pulsando à excitação do porvir. Ele sente como se morresse a cada segundo que vai. Ele deseja como nunca o músculo bater em seu corpo como um ponto para ogum. Descansa os ombros. Quer sentir o leve. As pálpebras se dão ao cansaço:
.
- Não sei! Fiquei entendiado de repente!
.
O corpo inteiro cai pesado e desesperançoso. Mais um vez, a porta se fecha. Incredulidade, raiva e desconfiança. Depois de tantos dias de paz e guerra, de tantas horas e tantos momentos de torpor e esperança.
.
"Não sei! Fiquei entendiado de repente!"
.
Misturam-se os pensamentos latentes nos corpos correntes derramados na desertidão de cada compartimento. Água e terra, pedra e torrente. Medo, pesar, frustração, expectativas, desejos. Se esvaem as almas. Derramam-se no abandono, no esgotamento, na espera:
.
"Não sei! Fiquei entendiado de repente!" se repete na mente dele.
.
.
.
Raquel Leão & Ives Nelson

sexta-feira, 12 de junho de 2009

T como N

Um olho azul flutua na imensidão do céu rosado e
estrelas púrpuras e nuvens azuis com bolinhas amarelas
também acompanham o luar de um dia claro.

Sob a sombra de uma cerejeira,
um pequeno ser se põem a brincar
nos braços de um ser maior.

O mais alto atira o menor com toda força
para cima da copa das árvores,
e deixa que ele caia sonora e pesadamente no chão.

O pequenino morre a cada vez que se estatela no chão,
mas não demora muito, para que ele se levante,
e correndo se jogue sobre os braços do maior.

Os dois ficam nessa repetição o dia todo,
parece não ser cansativo e nem dorido.
E logo os dias viram semanas, e essas viram meses.

Três meses se passam, e eles continuam lá.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Sê paciencioso...

Queria eu, que a noite tivesse uma hora (que fosse) a mais.
E mesmo que a noite tivesse uma hora (que fosse) a mais,
Assim mesmo, eu ainda não teria um oi (que fosse) a mais.
Pois um simples ditongo,
É muito mais pesado que chegar em casa.
É muito mais difícil que tirar a roupa.
É muito mais ruim que tomar um banho.
É muito mais indesejável que deitar na cama.
E muito mais cansativo que fechar os olhos.

Agora,
Para acreditar na elegância da sua arrogância,
Na prepotência da sua "potência",
Na altivez da sua timidez,
Na meiguice da sua cafajestice,
Na mediocridade da sua humildade,
Eu preciso de muita,
Mas muita paciência.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Idiotice, essa moda pega!

Impressionante como, frequentemente, as pessoas são idiotas o bastante, ao ponto de acharem que somos idiotas o bastante pra nos fazer-mos (a nós mesmos) de bastante idiotas.

Citando um lindo poema (avise-se, que nada tem de idiota) para ilustrar esse pensamento:

eus & nós

"eu tenho que me ser
e você, você.
assim funciona desde que
quem quer que mê,
não pergunte porquê."
(Mê)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Idiossincrasia sim, mas com citação

Eu me desculpo, me acomodo e me satisfaço em pensar, que realmente, é muito mais fácil "passar de folhas a pássaros" do que "rosas a letras".

*aspas tirada de BORGES, Jorge Luis. A Busca de Averróis. in: ______. O Aleph. Tradução de Davi Arrigucci Jr. São Paulo: Companhia das Letras: 2008, 156 p.

A resposta de Romeu ou Mais um idiota

Primeiro sorri
Enquanto esperava
Mas você desprezava,
Apesar de escondida,
A minha fantasia
Que eu quis compartilhar.

Porém não me convenço
Enquanto não te venço
Por causa do teu olhar
Então, não penso
Eu me antecipo,
a tudo revelar.

O momento ameaça
Eu não escondo nada
Pareceu uma piada
(Porra!)
Era pr'eu me resguardar.

E ficou somente no ar...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Mito

Ele abriu os olhos. Assustado, não reconheceu o lugar. Um segundo depois lembrou-se. É esquisita essa súbita amnésia. E também é orgástica e extasiante. Alguém o tocou. Uma segunda mão também o tocou. Não via ninguém a sua frente. Ou preferia não ver. Uma terceira vez foi tocado. Escutou alguns dizeres, mas não compreendeu. Na verdade, até compreendeu, mas ignorou completamente a mensagem. Queria voltar naquele mesmo instante. Mas não sabia o caminho. As pessoas todas estavam preocupadas com o rapaz. Ele só pensava em voltar de onde acabara de chegar. Tentou uma, duas, três, quatro vezes. Sem resultado. Fechou os olhos. Sentiu um tapa no rosto. Abriu os olhos. Alguém o tocou mais uma vez. Irritou-se. Pôs-se de joelhos, com as mãos para trás e a cabeça abaixada num ângulo muito estranho. Começou a se sacudir e debater. Estava finalmente conseguindo achar o caminho. Uma mulher deu um grito. Por causa disso ele quase se perdeu. Porém se concentrou no objetivo. Os olhos ficaram fixo, os membros rígidos e a língua enrolada. Deu um solavanco e caiu de peito no chão, imergindo o rosto no próprio sangue. Conseguiu finalmente voltar. Um senhor idoso, compadecido, acendeu uma vela, e colocou ao lado do cadáver.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Três Caminhos

.
No primeiro os pássaros cantavam
As flores exalavam perfume inebriante
As plantas mostravam um verde brilhante
E a luz do sol irradiava e refletia
Mas as harpias mataram os pássaros
Os bubalinos pisaram nas flores
Os gafanhotos comeram as palntas
E a luz do sol se encobriu por nuvens negras
.
No segundo os pássaros também eram presas
As flores ainda eram vulneráveis
As plantas igualmente eram alimento
E a luz do sol ainda era incerta
Mas as harpias nem sempre sabiam caçar
Os bulinos nem sempre andavam em meio as flores
Os gafanhotos nem sempre estavam com fome
E as nuvens sempre se dissipavam
.
No terceiro nunca se viu um pássaro
As flores nunca existiram, pois
As plantas nunca enraizaram
E a luz da lua iluminava imponente, pois era sempre noite
Mas as harpias já estavam à espera do primeiro pássaro
Os bulinos impacientemente, já aguardavam a primeira flor brotar
Os gafanhotos já estavam famintos esperando a primeira semente germinar
E as nuvens já encobriam até a luz da lua

Da fome dá sede...


Heloiana estava com muita fome e um pouco de sede. Fazia meses que não comia nada, e unicamente caminhava por entre o gramado, e bebia água de fontes que ocasionalmente surgiam aqui ou ali, naquele jardim. Em alguns momentos ela se desesperava, e em outros estava calma e paciente, mesmo depois de quase dois dias andando pelo matagal. Passava por frutas maduras e suculentas que se exibiam nas várias árvores, mas não as comia, satisfeita somente com a água da fonte. Porém chegou um momento, em que as as fontes, as cachoeiras e os rios não mais surgiram pela floresta, porém a chuva, essa sempre vinha pela tarde. Heloiana ficou agora com muita sede, foram tantas horas sem tomar nada que até a fome passou. E então ela teve frio por causa de uma chuva noturna que não parava. Ensopada, desesperada, e ofusacada pela luz do sol, procurava no meio da floresta uma fonte para matar sua sede incontrolável, uma sede que já durava cinco minutos. Ficou com medo e se abrigou do dilúvio debaixo de uma bananeira. Enquanto não parava a torrente, se distraiu diversas vezes pela água escorrendo por entre um cacho de bananas madurinho. Nem comida, nem água e nem esperança. Não via nada, ou preferia não ver. Quem sabe?

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Inspiração

Os blogs, ao que (a)parecem, acontecem ao acaso...